segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Bruta-flor


Texto selecionado para o concurso
Poetas da Cidade Brasília 50 anos, do SESI Brasília 




Você bruta-flor,
em um coração brotou,
assim, como flor de cactos,
florescendo em terreno árido.


Escassez das chuvas,
nevoeiro de poeira vermelha;
Céus, chãos, misturados na imensidão
do horizonte cor de fogo, cor de fogo!


Tempo de regar, de voar;
Tempo de sonhar com você;
Tempo de rogar, semear,
para o amor colher quando chover.


Vida brotando de uma rocha;
Céu multicor, contra tom;
Pôr-do-sol laranja, lilás,
brindando o entardecer fugaz.


Cerrado, terreno árido;
Cerrado, cor de fogo;
Cerrado, vai florescer quando chover;
Templo para harmonizar é a cachoeira.


Infecundo terreno árido, crepúsculo cor de fogo;
Prosperará, florescerá como fina flor, quando 
a chuva chegar, em seus  eixos e asas
e chover, enfim, o amor.




Por: Léo Jorge




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Lugar aos Outros - Estúdio Raposa

Estimados amigos, 

Segue os links do Estúdio Raposa, uma rádio literária na internet, que publicou alguns dos meus escritos poéticos.  

Para quem se interessa por literatura e poesia, sobretudo em língua portuguesa, vale à pena conferir o site, que é muitíssimo interessante!



Audio da Gravação


Tejo Bar
Castelo São Jorge

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ausência

Esperançoso sopro de amor,
ausência que se faz branda dor.
Viço que me fez existir um dia vivo,
suga hoje qualquer vital alento altivo.

Hora do dia em que se fez mais bela à temporada,
não mais brilha, nem brinda o crepúsculo, a alvorada.
Suave toque da brisa não mais inebria minha’lma,
peço um grão cósmico da poeira ávida que me falta.

Teu sorriso no meu melancólico caminho se faz cor;
Um passo para escassez da minha assombrosa dor;
Sou o espinho capaz de abrandar a mais suntuosa flor.

Hoje o sol não vai brilhar, hoje tudo vai mudar;
Hoje a porta vai se abrir, alguém vai se ferir,
Hoje não vou mais pedir pra você ficar.


Por Léo Jorge  


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Evasivos

Pálida mulher de cabeleira negra,
de beleza fria, de íntimos encantos.
Triste, maldito, te desejo mais que tudo,
amor meu, não sei existir dessa maneira.

Inserto amor vicioso, espécie incomum,
preciosidade de mulher rara, falaciosa.
Apesar da dor, sei sorrir atormentado
por tua ausência, tristes dias, vazios, escuros.

Não existirá no mundo outro alguém, enlouqueço,
ausento-me, retorno, nada se altera, sei esperar,
pois que permanece em mim, única convicção.

Haverá o dia em que me perderei por teus olhos evasivos;
Haverá o dia em que me encontrarei em tua boca abrasadora;
Haverá o dia que será o fim de minha insana angustia.


Por Léo Jorge




domingo, 16 de maio de 2010

Adágio

Adágio, aforismo
preenche-me todo o dia;
Impede-me concretizar afeito,
rotina, insiste tornar-se poesia.

O receio, os amores, a essência,
a agonia, o medo e o pensamento,
a atraente, dura e crua existência,
a mulher, o ter e o poder, tormento.

Cômoda luxúria, alento, afeição.
Aconchego, lubricidade, dedicação.
Conforto, libidinagem, compreensão.

Inusitado, estranho, único sentimento
divino e nobre, não se pode no entanto
quão grande amor ser alcunhado.Lamento!


Por Léo Jorge



sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lúpulo

Não aprendi a padecer;
Não aprendi a perder;
Minha sensibilidade não
deixa-me transcender.

Cada vez que perco,
sinto-me enfraquecido;
Sinto-me quase nada,
perdi até minha'lma.

Sei que não pertenço a este
mundo, não me iludo;
Só quero ficar mudo.

Oh! Lúdico, lúcido, lúcifer;
Embriaga-me totalmente;
Entorpece-me, luterano lúpulo!


Por Léo Jorge

 

terça-feira, 27 de abril de 2010

Solzinho

Nos lugares insossos, seja um mimo, seja breve.
Nas estações felizes, seja densa, todavia, leve.
Seja luz e inquietação, seja sempre e livre.
Ilumine, irradie, brigue, incandesça, brilhe.

Para os dias ardentes, frescor.
Para as noites cinzentas, calor.
Altere, perturbe os sentidos.
Amoleça os corações embrutecidos

Jamais, abra os olhos à repreensão.
Seja continuamente escolha. Opção!
Celebre, agradeça e viva linda vida.

Nunca se acostume à insuficiência
Seja constante, somente, transformação
Seja tudo, ou nada disso, seja só a Sophia linda do titio.


Por Léo Jorge


segunda-feira, 12 de abril de 2010

Você




Você se confunde com minha essência,
meus e seus, agora, são apenas nossos:
Problemas, soluções, silêncios, palavrões,
dores e amores, frios e calores.


Momentos de agonia, dias de poesia.
Nada importa, agora, você é parte, é todo,
é minha, minha morada e minha vida, assim,
eternamente e sempre, até o fim...


Por Léo Jorge



















quarta-feira, 7 de abril de 2010

Nativa

Fome que em mim perdura, resiste,
não encontra-se no trigo nem no vinho,
nem se quer, tampouco, nutre a fibra tenra
padecendo o roto, residual, abatido espírito.


Cede que persisti quando os lábios secos clamam:
nem por água, nem por nécta dos mais audazes deuses.
Somente saciada é minha sede louca, insana, quando a saliva
e o gosto d’tua pele alva encontra-se em minha ansiosa boca.


Oh, bem-amada, não te amaria se não soubesse:
Que tu és para mim como alma sustentando-me vivo;
Que tu és para mim como a chuva florescendo orquídeas nativas.


Se não és porque a cor dos céus profundos em teu intenso olhar;
Se não és porque o prateado da noite em teus pelos sob o luar;
Se não és porque o a cor do fogo em tua pele ao se por o sol.




Por Léo Jorge


Olhar

Dois olhos lindos, grandes, verdes,
lúdicos encantos, espiões, inspiram;
Dois lindos olhos, castos, grandes,
acompanhados do mais belo e fascinante sorriso.

Um espelho d’tua alma irradiante,
como um infantil, sincero, olhar;
Um labirinto sombrio, outras vezes,
brilham dois misteriosos olhares.

Arte, obra-de-arte, adjetivo deste olhar,
obscuro olhar, conforta, acalma, fascina;
Princesa, preciosa, primor, prisma!

Teu olhar, vez em quando projeta outro mundo;
Oculto desejo, descobrir e parte fazer destes pensamentos;
Curioso silêncio, no teu grande, lindo, olhar.


Por Léo Jorge




Ontem

Ontem, obsessivamente oculto, ocorreu-me,
odisséia obscura, ogiva ofídica, obvio ofício;
Outrora ojeriza, ofuscada obra oclusa. Oh!
ofegante oprimido, ociosamente, observador.

Desnuda, desespero, delicada, idade dezesseis;
Prelúdio, pele, perversão, imprudência penitente;
Perigosa, permissiva, persistente, inefável pedúnculo;
Enquanto espero, alvoradas seguintes, reversos versos.

Tarda e tudo parda, nada se mover;
Tarda e tudo lento, desalento, extasiado;
Tarde, tons tordilhos, céus gris.Tolo, espero!

Eis aqui pena, devaneio, aflição;
Eis aqui pedra, quimera, ansiedade;
Eis aqui papel, tormento, aspiração.


Por Léo Jorge 


Orquídea

Não desejo-te quão lírio lírico, orquídea ou
tocha de cores incandescestes que alastram a flama:
consumo-te como consumam-se certas coisas ordinárias,
sigilosamente, entre os fantasmas, a cólera e a alma.

Desejo-te quão a casta semente que não abrolha,
leva intrínseca, encoberta, a vivacidade das flores,
e por teu desejo, preservei oculto, denso
o estreito perfume que elevou-se do chão.      

Almejo-te sem saber quão, nem onde, nem porque,
almejo-te demasiadamente sem enigma, culpa, soberba:
assim almejo-te por não saber amar d’outra maneira.

Senão assim deste modo em que não sou teu nem tu és minha,
porém, tão perto que tua boca, pernas, pelos, seios, anca, sou eu,
tanto junto que meu calor em tuas mãos, minhas, são suas.


Por Léo Jorge


terça-feira, 6 de abril de 2010

Preta


Preta minha;
Preta menina;
Preta mais linda.

Minha preta me ganha,
me olha, me acanha,
me arranha, me assanha.

Teu cheiro que fica;
Teu gosto que dura;
Teu toque que entranha.

Meu vício, meu risco,
minha cura, meu ópio,
me cuida, me acuda.

Beleza crua;
Tua pele nua;
Tua carne dura.

Teu cabelo, um penteado, um cotejo amedrontado.
Tuas pernas, que fujo com receio do vício.
Tua cor, que quero como parte de mim.


Por Léo Jorge


Primitiva

Tu és fresco da mais bela estação,
tens nomeau de princesa.Primitiva.
Tens essência, primor, primazia. Primavera.
Tu és meu antro, minha corrupção. Premissa.

Convicta de sua beleza pura, fraterna,
consome-me voraz, sutil, tênue.
Soberana, soberba em minha'lma,
enfraqueço-me diante de tua ausência.

Sólido, embrutecido, solitário, sofro
pela privação penitente de não mais ver-te.
Saudades tenho.Saudades!

Pois, tu és minha flor,
meu bebê.A mais bela,
meu mais lindo, AMOR!


Por Léo Jorge




Razão

...de repente, de prosa ou de verso a pagina enche, 
enche de encher, cheia de nada, está.
São somente palavras trazendo notícias
do lado oculto de lá, d’algum lugar.

Agora sei qual à desnuda razão,
nada de coisas, tragédia, emoção.
Amiga minha que quero como mulher,
difícil deveria de ser, para graça poder ter.

Por quê não?Tudo tem porquê
nesta vida maldita, infame razão.
Raras vezes, porquês, têm alguma explicação.

Creio que sou, descritor ou escritor!
Envolto meio a estranheza da escassa
falta de assunto, acho que sei ser o que sou...


Por Léo Jorge




Recordações

renasce como essência. Beleza alva,
semelhança branda, alusão fugaz, 
passado remoto, recordações...

Sentimento lúgubre, antes
sombrio, nocivo.Renasce!
Sensação inábil, incognitismo,
desconforto intrínseco em meu, Eu...

Agora inócuo, fraterno,
leve como magia luminosa;
Um gesto, um olhar, outra mulher.
 
Feitiço lançado, destino mutável,
medo, ansiedade, satisfação;
Anjos, demónios, fadas.Nada! (apenas mulheres).



Por Léo Jorge 




Recorrente

Recorrente ciclo, desencanto aprisionado,
divas, ícones, signos, sempre idealizo.
Vez em quando vivo, intensamente insípido,
geralmente, ordinariamente quando singular.

Recorrente, sempre outra, sempre igual,
sempre cruelmente sagitariana, sempre!
Uma fascinação inexplicável, afetuoso
veneno, misteriosa, enigmática, insana.

Recorrente, suntuosa, desumana, apaixonante,
maldita, maléfica, essencialmente: poção vital,
ausenta-se, transmuto-me, desfaleço, acabo.  

Recorrente, mulher perturbadora, sempre
outra, sempre igual, vez em quando emerge,
rui meu forte brandamente, derrota-me e vence.


Por Léo Jorge


Rúbia

Aparição, palidez, face delicadamente enrubescida,
brandamente magra, extraordinariamente bela.
Uma noite fria, um vinho quente, como
a cor dos teus cabelos, vermelhos!

Vermute, absinto, tonto, desnudo por teu cheiro,
almejo ser percebido, tocado por tua candura imaculada.
Surge como um sol em minha noite insana, insossa, remitente,
surge branda, calmamente como sol de outono, rubra incandescente.

Furor que sangra, flama que escorre por meu peito
como lava, que aflora, que jorra sobre Vulcano,
é teu cio germinando, brotando minha terra.

Teu fogo adormecido veio à tona, palidez tornou-se calor,
vivacidade, onde agora encontro abrigo, esconderijo,
fugindo do mundo que há tempos exaltei.


Por Léo Jorge 



Soturno

Se tu buscas poesia,
se tu queres nostalgia,
se tu almejas fortaleza,
bateste à porta errada.

Aqui nesta singela morada,
do poeta, resta mais nada,
nem a gentileza vazia,
quem dirá à rota apatia.

O lirismo soturno,
o falho bardo, nefasto,
o trovador desgraçado.

Nesta pousada, existe hoje em dia
somente bonança, venturosa calmaria,
lugar onde tua falta, não mais enxovalha minha'vida.


Por Léo Jorge


Subtilmente

Rósea face sutilmente melancólica. Alongadas
ávidas pernas alvas, mãos, braços, pescoço.
Caminhar suntuoso, presunçoso, altivo,
discreta, elegante, lira literalmente.

Habilmente exala odorífero aroma designado
tentação, lisos longos macios cabelos embrenhados
em meu intimo, capazes de conduzir a perdição o 
mais racional e cético dos mortais.

Silhueta extensa; Brandas curvas, quadris exatamente salientes
como deveriam de ser os de todas às perfeitas mulheres;
Cálida pele, perfeitos acanhados seios admiráveis...

Exposta ao ar, mescla, confunde à perfeição
da paisagem. Entre paredes, exibição do belo
em forma de espetacular artifício artístico.


Por Léo Jorge


Meio Tom

Uma noite fria;
Um vazio no peito;
Uma sala vazia;
Um silêncio entorpece.

Meia luz, meio tom,
um som sem compasso
por falta de alguém...

Meia luz, meio som,
assim nasce um tom
que projeta um alguém...

Uma noite triste;
Uma sala vazia;
Um silêncio no peito;
Um vazio me rege.

Meia luz, meio tom,
um trago, uma dose,
uma ausência em minha'lma ...

Meia luz, meio tom,
na t.v.nada tem,      
triste vida, silêncio, enlouquece...

Por falta de alguém, meia luz;
Por falta de alguém, meio tom;
Por falta de alguém, de alguém...


Por Léo Jorge


Anjo Mau

Anjo, anjo bom,
anjo mau.

Que me seduz, quando convém,
que me esculacha, depois sorri;
Escandalosa, sempre percebível,
ao lado passo batido, quase sempre tímido.

Anjo, anjo mau,
que me faz bem.

Anjo sempre, um presente,
às vezes, de alma ausente;
Fisicamente, sempre presente,
onipotentemente, ausente.
Anjo, Ângela,
anjo bom, me ensina ser mau!

Debochada, quando te elogio,
escandalosa, me ensina viver;
Anjo que se apresenta, como a mais linda mulher,
Anjo Ângela, a amiga mais fie, cruel (não sei dizer).




Anjo Mau.                  
 Léo Jorge(música e Letra)




Canção dedicada à minha grande amiga Ângela de Sousa (Ângelão)

Vida

Vida: caminho percorrido, tempo restrito,
intervalo único no universo capaz
de eternizar o sonho, a chance
de auferir, abrandar.

Amargas, afetuosas, palavras;
Estações bem-aventuradas;
Fortalecendo dificuldades;
Humanizando saudades.

Volição, destino escorrendo entre dedos;
Benção, equilibrando repentinos danos;
Imprecisão, dúbios estranhos desejos.

Lírios, delírios, devaneios flamam;
Segredos, desabafos declamam;
Vícios, riscos, mistérios clamam.


Por Léo Jorge